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sexta-feira, 10 de maio de 2024

Com João Pedro Porto (II)

    
Sou feliz escravo do acto, do verbo. Escrevo. O resto é consequência, alguma feliz, outra menos.
 

    Vai aqui a segunda parte da conversa que mantive com o escritor João Pedro Porto. Não vou reproduzir a introdução inicial a estas palavras. Estão disponíveis em várias plataformas a quem as quiser relembrar ou ler pela primeira vez. Reiniciamos o nossos diálogo com a última parte à pergunta: 
Como tem sido publicar numa grande editora nacional como a Quetzal, e a apreciação crítica de Teresa Martins Marques no JL quando diz que o romance A Brecha “… é um dos livros mais marcantes dos últimos 40 anos? Como é que isto afeta um escritor de uma nova geração açoriana? 


    As gerações que compõem os meus anos de crescimento guardo, também, amizades inestimáveis no modo como nos empurramos recorrentemente uns aos outros sempre no sentido da continuidade da criação. Do meu ano de 1984, por exemplo, como não mencionar o Rui Couceiro, revelado há pouco tempo como grande romancista, para além de provado editor. E o Nuno Costa Santos, que é daquela família que se adopta, e com quem partilho a paixão pelo cénico, pelo celtismo, e por tanto mais - agora mesmo trabalhamos numa peça de teatro. 
    Quanto a publicar na Quetzal enquanto vivia em S. Miguel, foi à altura algo de uma novidade que alguém nascido, crescido e regressado à ilha, tivesse lugar numa editora nacional que publicava Homero, Vergílio, Borges, Magris, Lorca, Pessoa, Márquez, Llosa,… enfim, a lista é-lhes infindável. Aconteceu que o livro Porta Azul para Macau foi resenhado no jornal Público pelo inconfundível escritor e amigo Valter Hugo Mãe, talvez pela mesma altura em que participei na primeira antologia de contos do Centro Mário Cláudio, e isso deu-me abertura para que alguns doutos olhos lessem um novo manuscrito. Foi o editor e escritor Francisco José Viegas quem fez essa leitura e acreditou corajosamente na minha escrita. A Brecha, que é uma viagem epopeica pelas fases evolutivas internas do Homem, é um livro-aventura com as suas dificuldades - em que a narrativa principal é interrompida por uma peça de teatro, e arrematada por um poema épico que reconta toda a façanha -, mas o editor acreditou no seu público e na necessidade de alimentar um determinado tipo de leitor, que prefere o desafio da subida mais íngreme. Há um leitor que prefere sair da viagem literária com mais uns centímetros existenciais e com a vista ampliada. Por isso, o livro foi finalista do Prémio Correntes d’ Escritas, e tem encontrado recorrentemente o seu público (há poucos meses, chegou aos fabulosos olhos dos leitores do Clube de Leitura do incrível Paulo José Miranda; e a última pessoa a dar-me conta da sua leitura foi o poeta, romancista, ensaísta, crítico e investigador literário Hélder Macedo). Há, felizmente, fortes corações de exploradores que ainda batem nos peitos da contemporaneidade. 

    
    N
ão haverá, aliás, melhor representante do tipo humano desafiante e conquistador de desafios do que Teresa Martins Marques, que me é referência disso e da qualidade inquestionável de que uma pessoa é capaz quando se entrega por completo à ética e à estética dos seus objectos de estudo. A sua leitura vivida e vívida d’ A Brecha é-me uma vitória que guardo junto ao meu próprio coração, no mesmo amplo lugar que a ela reservo na totalidade. Quanto a como isso me afectou, a resposta é pragmática: lançou-me à escrita sem perdão. Desde então, escrevi dois livros de contos, quatro de poesia, e três romances, dois deles ainda por publicar; e escrevo agora um novo romance. Sem que isso obedeça a qualquer método. Já escrevi cinquenta mil caracteres em três semanas, e duzentas páginas em três anos; poemas em segundos e contos em minutos, e os mesmos formatos em meses. Mas que a vontade é amante do reconhecimento, é inegável, ainda que seja muito egoísta quando escrevo, desenho ou componho, pois faço-o para mim, sem público que não a minha própria vontade, talvez a vontade de me reconhecer em algo que exista fora de mim, que me relembre de mim durante os janeiros e fevereiros da ilha, que me leve tanto ao passado quanto me atire ao futuro, e me ultrapasse na duração.

    Tens publicado poesia, traduções e outros escritos nas Letras Lavadas aqui de S. Miguel. Para onde vai ou para onde quer ir o escritor João Pedro Porto? Quem são os teus leitores idealizados na língua portuguesa? 

    
    T
enho publicado contos na Letras Lavadas, em versões bilingues, com traduções minhas para o inglês e de Blanca Martín-Calero para o espanhol; e poesia na N9na Poesia, numa colecção absolutamente inatacável, já com treze volumes, curada pelo amigo, grande poeta e profícuo romancista Henrique Levy, onde constam nomes de grandes poetas e amigos, como a imensurável Ângela de Almeida, o Daniel Gonçalves, Eduíno de Jesus, entre outros. Nessa mesma colecção, tive a felicidade de publicar uma poesia reunida (Monstros como Nós, 2022), um livro sui generis a que chamei de poesia epistolar (Sopro nos Olhos, 2023), e uma antologia por mim seleccionada e traduzida para o inglês (Towering Words, 2023). A tradução tem-me sido um jogo de dinâmica que muito aprecio, um abraço com outros escritores feito pelas novas versões dos seus escritos. Ter essa possibilidade é uma honra, e um outro exercício de crescimento, de descoberta, de aprendizagem. 

    E embora não seja adepto da divisão taxativa por géneros literários, sendo, a exemplo, um fervoroso adepto do quase defunto nouveau roman, posso dizer que, no formato romance, sairá livro novo com a chancela Quetzal ainda este ano – espero. 

    Mantenho, também, a boa fortuna de receber convites para antologias, revistas literárias e outras iniciativas formidáveis, tendo as últimas participações sido para a antologia poética Inventário das Travessias (Editora Labirinto, 2023), para a Oresteia - Revista de Literatura, Filosofia, Ciências Sociais e Artes (Setembro, 2023), com a coordenação de Victor Oliveira Mateus, para a antologia de poesia erótica Venérea (Cara Lavada, 2023), para a publicação Folhas, Letras & outros ofícios - 21, com a coordenação de João Rasteiro, para a edição comemorativa do 189º aniversário do Açoriano Oriental, que é o jornal mais antigo do país, e para o sexto número da revista literária Grotta, com a direcção do amigo e irmão de armas, Nuno Costa Santos. 

    Por estes anos pude, também, escrever letras para álbuns musicais, com Pedro Lucas e Carlos Medeiros. Terra do Corpo (2016) e Sol de Março (2018) foram-me experiências transformadoras de ritmos e melodias de escrita. Mais recentemente, fui convidado a traduzir o guião do novo filme de Frederico Custódio, Las Plantas no duermen, que na sua versão inglesa chamar-se-á The Waking Garden. A viagem da escrita continua e, assim, continua-me. 

    
    C
ostumo dizer que o futuro faz-se no presente, e com o passado às costas, e por isso não sei para onde irei, mas sei que continuarei a escrever, pois isso é-me um dos muitos veículos da felicidade. Sou verdadeiramente feliz no acto criativo da escrita. Não me interessa tanto o mundo literário e o mundo leitor (embora admita pagar cotas em ambos). São maravilhosos, decerto, mas sempre secundários. Sou feliz escravo do acto, do verbo. Escrevo. O resto é consequência, alguma feliz, outra menos. Mas o verbo permanece-me imprescindível. Prometo, no entanto, uma coisa: serei sempre paladino da Língua. Isso importa-me. Importa-me que um povo ame a sua Língua. Mas não incondicionalmente. Como em tudo no amor, terá a Língua que dar razões para ser amada. Há-que dela cuidar e bem usar. A escrita despida deixa-nos ao frio, e depois qualquer roupagem nos serve. Somos vítimas desse engano, e a qualidade literária tem vindo a sofrer com um ciclo de mercado, em que se fornece o que a maioria quer, quando não se educa esse querer. 

    Por isso, os meus leitores idealizados na Língua portuguesa são aqueles que a querem amar, descobrindo ou redescobrindo esse amor com a coragem que esse acto pede. Acreditemos nos leitores e na sua inteligência, tal como acreditamos na bondade, pois quanto mais se acredita nestas coisas, mais lhes damos a obrigatoriedade de ser.

O autor João Pedro Porto fotografado por Alfredo Cunha.

No BorderCrossings do Açoriano Oriental, 10 de maio de 2024

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Com João Pedro Porto (I)

 

João Pedro Porto por Alfredo Cunha
Na adulticidade e ao longo dos anos, firmei amizades com muito escritores e criativos nacionais e internacionais… pertencentes a múltiplas gerações.


    A epígrafe deste texto vem numa das respostas de João Pedro Porto à minha entrevista com ele. Distinto autor açoriano do que venho chamando a geração seguinte, quase toda a sua obra literária é mencionada nesta entrevista. Publicou recentemente uma tradução de vários poetas, Towering Words , incluindo a alguma da sua, e da sua inteira autoria, Monstros Como Nós, livros da No9na Poesia (Nova Gráfica) dirigida por Henrique Levy. Está à espera da publicação do segundo romance numa editora nacional, Quetzal. Esta nossa conversa será publicada em duas partes. Basta por agora reafirmar o que outros têm dito, principalmente da sua ficção, desde Valter Hugo Mãe a Teresa Martins Marques, quando ela diz sobre o romance Brecha: “...Um dos livros mais marcantes dos últimos 40 anos”.

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    A tua trilogia constituída pelos romances O Rochedo que Chorou, O 2egundo Minuto e Porta Azul para Macau foi para mim um ato literário de grande significado quanto a uma temática de vida em ilha e naturalmente de vidas universalizadas, em que tudo parece ou é uma metáfora do mundo. Isto foi o início para outras partidas de uma nova geração de escritores açorianos.

    Tenho, realmente, vindo a chamar-lhe a Trilogia Insular, pois no primeiro livro a personagem principal metamorfoseia-se numa ilha, no segundo, um arquipélago é o último reduto para um regime experimental, meritocrático e eventualmente distópico, e no terceiro, Lisboa é transformada num conjunto de sete ilhas - e não colinas - e é palmilhada por um bando de jovens autoproclamados metarealistas que faz publicar um formidável e perigoso manifesto. São narrativas insulares porque creio maravilhosa a nossa capacidade de usar um pequeno palco para conter todo o mundo. E não haverá palco mais pequeno do que uma ilha, seja essa uma duna solitária num grande deserto, o zénite de Zermatt, ou uma ideia original que ainda não encontrou um ouvido. Ilhas há em todo o lado e em todos nós, também. Por isso, estudar a condição humana, é estudar a hermenêutica da ilha. É estudar a completa semiologia da solidão, e escrever-lhe todos os tomos e juntar-lhe anuálias, pois somos criaturas relacionais, e estudar para além da nossa essência, é procurar conhecer a totalidade do que somos.

    

    Sei que escrevi a trilogia sem recorrer à geografia e à cultura local, e com a excepção da capital olisiponense, não creio ter ido buscar outras referências. Confesso que fugi literariamente dos Açores, não tanto para fugir, mas para poder regressar - porque mais do que a partida, o regresso é o tema do insular -, e para poder habitar a minha ilha e as minhas pessoas. Escrever os Açores seria, para mim, um confinamento incomportável. Usá-los para escrever o mundo foi-me a melhor solução. E creio que temos obras canónicas que o fazem melhor do que eu alguma vez o faria. Lembrando-me de um amigo e autor maior que o fez inigualavelmente, evoco ter lido o livro O Mar de Madrid de João de Melo pela mesma altura em que recebi de oferta uma serigrafia de Cruzeiro Seixas (enviada pelo mestre depois de este ter lido o primeiro livro da trilogia). Ali, a Praça dos Restauradores figurava inundada e com muitos tipos de embarcações; e isso instantaneamente fez-me conjurar a ideia para Porta Azul para Macau. Por isso acredito que a ponte segura e oculta entre as ilhas e a ilha maior que é o continente, foi-me sempre frutuosa. Numa breve e verdadeira anedota, quando apresentei esse mesmo livro na maravilhosa livraria Ferin, em Lisboa, numa noite de temporal e chuva torrencial, o taxista que me transportava alvitrou-me de que um dia, com todo aquele pé d’água, navegaríamos por ali pelo Chiado em barquinhos. Mal sabia ele ser essa a história do livro que eu, então, levava nas mãos.

    Em 2011 fui primeiro publicado aqui no arquipélago por alguém que é o grande mecenas da literatura local e actual, e que viria a ser-me um grande amigo, o Sr. Ernesto Resendes, em edições de irrepreensível beleza; e depois deu-se a sorte continuada de ser lido a dois mil quilómetros de distância, por pessoas que acreditaram na minha escrita, e lhe deram novos pulmões para novo fôlego. Cheguei a receber correspondência de um leitor do Japão. Se tudo isso engajou algumas pessoas na escrita, se lhes deu verve para encontrar as suas próprias vozes e caminhos, não posso deixar de sentir a particular felicidade de quem aponta o dedo e vê seguirem a direcção. Espero ainda conseguir fazê-lo de inúmeras e diferentes maneiras, e prometo nunca apontar nada que já lá esteja, visto e revisto. Tudo o que deve ser apontado, deve também ser inaugural.

    Não será desinteressante considerarmos a última parte da pergunta - “nova geração de escritores açorianos”, será quase redundância no grande e ininterrupto rio do tempo, pois a nossa geografia produzirá sempre novas vozes, de diferentes tons e timbres. Consideremos a narrativa do náufrago, ou do cônsul enviado para a estação mais longínqua, ou a do viajante perdido para a imensidão; em todas se conjura a necessidade imediata do relato, do diário, da descrição, como se todos fossemos Polo rente ao grande Khan, ou Scheherazade rente a Shahryar, sem percebermos que somos sempre ambos, e que há dentro de nós a prerrogativa de contar a história. E nós, os literais insulares, seremos sempre essa díade. Ouça-nos quem se quiser ampliar, teremos sempre (o) que contar.

    Como tem sido publicar numa grande editora nacional como a Quetzal, e a apreciação crítica de Teresa Martins Marques no JL quando diz que o romance A Brecha (que segue a mencionada trilogia) “… é um dos livros mais marcantes dos últimos 40 anos? Como é que isto afeta um escritor de uma nova geração açoriana.

    
    
foto de Aníbal C. Pires
    C
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ço pelo fim da pergunta. Nunca me considerei parte de uma geração. Convivi muito com a geração de 40, que era a do meu Avô e do seu Círculo Literário Antero de Quental; com a de 70, também, e pouco ombreei com as restantes, mas nunca me senti entrosado em nenhuma. Toquei piano para o Sequeira Costa, desenhei com o Artur Bual, correspondi-me com o Cruzeiro Seixas, e com muitas outras pessoas de múltiplas áreas da arte e do conhecimento, que me inspiraram, orientaram e desorientaram no meu projecto estrutural. E isso deu-me um particular sentido dual de solidão e de impossibilidade de solidão, pois pude sempre recorrer a qualquer braço geracional - afinal, uma bússola inteira terá vários cardinais.

    Aprendi o gosto tanto pelo realismo como pelo surrealismo e o modernismo com a geração de 40, fui iniciado no meio literário pela Livraria SolMar, e na publicação pela geração de 70, com a leitura de Urbano Bettencourt e a inabalável crítica literária de Vamberto Freitas, acabando por ter presença recorrente em vários números do seu BorderCrossings. Quando comparou, então, a minha escrita à de James Joyce, anos depois de eu ter estado deitado sob a chuva de Dublin e sobre as relvas da Trinity College a ler o Ulysses e o Finnegans Wake, o nosso canónico crítico literário da veia de Edmund Wilson, deu-me o reforço positivo fulcral para a continuidade do acto criativo.

    De resto, devo dizer que fui motivado aos dez anos, na escola, pela brilhante tutoria do poeta Emanuel Jorge Botelho; em casa, pela poesia do primo Eduardo Bettencourt Pinto; e, no topo da adolescência, pela orientação do professor, amigo e poeta Fernando Guimarães. Sem nunca olvidar a profunda influência do meu Avô, de quem herdei quase todas as características estruturais da personalidade, e muitos dos seus gostos (do amor incondicional por Paris às preferências sartoriais por fatos, dos filmes com o Jimmy Stewart aos quadros de Modigliani, dos poemas lidos pelo Villaret no São Luís às músicas do Yves Montand), e com quem cresci a ler toda uma vasta biblioteca que agora amplio por conta própria.

    Na adulticidade e ao longo dos anos, firmei boas amizades com muitos mais escritores e criativos nacionais e internacionais (que guardam a minha leal admiração e que muito me influenciaram), pertencentes a múltiplas gerações. Valter Hugo Mãe, Mário Cláudio, Antonio Gamoneda, Assis Brasil, Paulo José Miranda, …; e muitos escritores da América do Sul, poetas Egípcios, … Tomei gin(s) com Luís Sepúlveda, ainda sem saber que ele falava belíssimo português; e fingi-me Inglês nos BAFTA de Piccadilly, na British Psychoanalytical Society, e fiz perguntas a Bernardo Bertolucci, pois sou um assumido cinéfilo, com verve de quem disso tem mesmo muito vício (e mais confesso, outra vida ter-me-ia visto como realizador, pois é essa a minha maior paixão. Ser um género de David Lean seria o maior e agora o mais inatingível sonho. As quase quatro horas do seu Lawrence da Arábia (1962) rodam no projector pelo menos uma vez por ano lá em casa; e quando agora fiz os quarenta anos, a minha mãe ofereceu-me uma primeira edição e primeira impressão, de 1935, do livro Sete Pilares da Sabedoria, o único escrito precisamente de T. E. Lawrence). Sempre encontrei algo nas pessoas. É aí que está o verdadeiro tesouro - que no clássico de Stevenson, também está numa ilha. Enfim, nunca fui tímido em querer beber da fonte do Hipocrene, essa mítica origem sagrada para as musas, e que mais não é do que a própria humanidade e os seus mais de mil humanismos. E espero poder ainda fazê-lo pelo resto de uma aventura de vida, pois é nisso que ela toma o seu tamanho…

O autor João Pedro Porto fotografado por Alfredo Cunha, o grande fotógrafo de Abril.

No BorderCrossings do Açoriano Oriental, 3 de maio de 2024.