Finalmente, é uma feliz coincidência o facto de este ressurgimento da Insulana ocorrer no ano em que celebramos o meio século de Autonomia da Região e também no ano em que Ponta Delgada é a Capital Portuguesa da Cultura.
“Continuando e renovando”, A Comissão Editorial da Insulana
Creio que a primeira coisa a afirmar aqui é que a Insulana faz parte de uma grande tradição açoriana quanto a revistas institucionais, essas que se caracterizam por erudição e ciência diversa entre o academismo e o saber de escritores e intelectuais independentes. Não está escrito no número desta nova edição, mas a intenção é manter uma escrita sólida não necessariamente “académica” se bem que muitos dos seus colaboradores estão colocados em várias instituições de ensino e investigação superiores e os que se distinguem por estudos-outros também nas mais variadas áreas do saber histórico, sociológico, científico e literário. Não publica ficção e poesia ou outros géneros da escrita criativa, mas dá espaço generoso aos textos sobre essas obras que circulam em grandes e qualitativos números nos Açores. Repito o que já vem escrito no texto que eu cito como epígrafe. A Insulana, que outrora foi publicada durante três quartos do século passado, junta-se de novo a outras revistas também já com uma grande tradição entre nós: Atlântida do Instituto Açoriano de Cultura e o Boletim do Instituto Histórico, as duas de Angra do Heroísmo, assim como ao nada menos significativo Boletim do Núcleo Cultural da Horta. A Insulana vem dividida em secções de Ensaios, Documentos e Leituras. Só mais uma observação essencial neste relançamento da revista micaelense: O instituto Cultural de Ponta Delgada tem sido dirigido por Henrique de Aguiar Oliveira Rodrigues, que assina nas presentes página um breve texto de agradecimento aos sócios que constituem a Comissão Editorial, e a Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026 em conjunto com a Brown University através da Cátedra Royce Famly Professorship in Teaching Excellence que foi instituida em nome de Onésimo Teotónio Almeida quando ele se aposentou daquela universidade como Professor Catedrático, e agora entre nós é um dos dinamizadores do reaparecimento da Insulana.
A lista de colaboradores é extensa de mais para que os nomeie a todos, e ainda mais cada título dos seus trabalhos. A Insulana pretende voltar a ser uma revista açoriana em forma de livro, mas com São Miguel e Santa Maria em lugar destacado nas suas páginas deixando ainda o seu espaço a outros temas relevantes e relacionados com todo o arquipélago. O leitor será surpreendido com muitas da suas páginas, que nem esquecem de comentar uma outra produção literária da nossa diáspora norte-americana. A saber, só como exemplos do muito mais nestas páginas: Onésimo Teotónio Almeida com Os Açores e o Domínio Filipino (1580.90) de Avelino de Meneses e a reedição de um clássico da historiografia portuguesa”, Carlos Sousa e Urbano Bettencourt com “A saudade ‘do Corvo’”, Vasco Medeiros Rosa com com o surpreendente “Arrifes ‘bairro cubista’ – e ‘uma das aldeias mais portuguesas de Portugal’”, Miguel Lopes com o luso-canadiano “Michael Gouveia, O Herdeiro”.
![]() |
| foto de Aníbal C. Pires |
Publicar uma revista como a Insulana – ou todas as outras exemplificadas na sua reabertura aqui em Ponta Delgada – têm, nada mais nem nada menos, esse papel fulcral de dizer pelo menos ao restante país ou nação que existimos com a memória viva, que sabemos das nossas antigas origens e para onde queremos caminhar hoje e no futuro das gerações vindouras. Não se trata de um ato de manifesta arrogância intelectual, mas sim um ato de consciência e generosidade. Tudo isto inclui surpresas, para mim esses textos inesperados que nos forçam a outro olhar, a presença de outros entre nós, a novidade que nos enriquece de modo especial, como em certos textos ou documentos resgatados ou escritos nestas ricas páginas.
Publicar uma revista como esta com mais de duzentas páginas em papel nos dias que correm é um privilégio e uma também inesperada dádiva aos seus leitores. Os nomes que formam a Comissão Editorial são Avelino de Freitas de Meneses, José Luís Brandão da Luz, Maria do Céu Fraga, Maria Leonor Pavão, Onésimo Teotónio Almeida, Rosa Goulart e Urbano Bettencourt. Eis aqui alguns dos nomes que fizeram carreira na Universidade Açores num outro grande contributo que agora se estende à comunidade da forma literária e científica mais digna, e como que num gesto de engrandecimento para os que apreciam um projeto como este. Estão todos – estamos – de parabéns. Devemos sobretudo um agradecimento especial ao Instituto Cultural de Ponta Delgada e aos já mencionados patrocinadores um agradecimento – o claro ojetivo é de um projeto para continuar. A Insulana será semestral, e o volume seguinte já está anunciado para o Outono. Que assim seja.
____
Insulana: Volume LXXIII, Número I, Instituto Cultural de Ponta Delgada, impressa pela Nova Gráfica, Ponta Delgada, 2026.
No BorderCrossings do Açoriano Oriental, de 7 de agosto de 2026


Sem comentários:
Enviar um comentário